Leite é saudável?

O leite faz parte de diversas culturas e está na mesa de milhões de brasileiros, todos os dias. Por esse motivo, é necessário ter certeza quanto a sua qualidade!

Com tantas especulações sobre sua composição e o fato de ser fonte animal, surge a dúvida: o leite é saudável? Deve estar presente na alimentação habitual? Faz mal?

 

Por fazer parte da alimentação diária de diversas pessoas, a demanda cresceu e passou a ser industrializado. Por ser um item indispensável em diversas prateleiras do país, o sistema manual e mais antigo de ordenha, passou a não atender à crescente demanda por ser mais lento e necessário maior mão de obra. Os produtores de leite se adequaram e investiram em equipamentos que otimizassem o tempo/mão de obra. Foi necessário que alguns produtores aumentassem seu rebanho para suprir a procura da indústria leiteira, e outros se beneficiaram de meios não muito adequados com o mesmo propósito, como por exemplo administrando hormônios para favorecer a produção do leite. Infelizmente, diversos produtores, criaram um olhar lucrativo, se esforçando exclusivamente com a quantidade produzida, deixando de lado a real importância: a qualidade do leite.

 

No entanto, após a criação de instruções normativas o processamento do leite passou a contar com critérios mínimos de qualidade, sendo necessário ao produtor garantir um local seguro para o rebanho, com higiene adequada, livre de doenças, e refrigeração apropriada ao leite ordenhado. A norma foi essencial, esclarecendo aos produtores que possuem ligação direta com a qualidade do leite: ela pode ser modificada de acordo com o tipo do rebanho, por fatores genéticos da vaca ou por fatores ambientais tais como: doenças, mudanças climáticas, administração da alimentação e estágio de lactação.

Vaca leiteira saudável em pasto orgânico
A saúde do rebanho interfere diretamente na qualidade do leite

De uma forma geral, o leite é ordenhado, armazenado sob refrigeração, transportado até a indústria de lacticínios e depois é destinado ao consumidor final. Para o leite entrar nas prateleiras do mercado, é necessário passar por testes de qualidade e análises laboratoriais para verificar se há adulteração e se todas as etapas de segurança foram realizadas. Se o leite não possui condições sensoriais e físico-químicas adequadas, é considerado inapropriado para o consumo, sendo proibida a sua venda.

 

Para garantir a melhor escolha do leite, são necessários alguns parâmetros a serem observados.

O primeiro ponto é a lista de ingredientes(exemplo abaixo): Por não ser um alimento produzido a partir de outros, deve ser composto de leite e nada mais. Se ao ler a lista de ingredientes você se deparar com nomes estranhos ou que não fazem sentido, provavelmente alguma coisa está errada. Neste caso, a melhor opção é que você não coloque este item em seu carrinho de compras. Em algumas embalagens de leite pasteurizado, não é possível encontrar a lista de ingredientes: neste caso, significa que o produto não foi acrescido de nenhum componente e permanece com sua formulação natural.

  

 

O segundo ponto, é a origem. Se você realmente se importa com aquilo que consome, é de extrema importância que saiba quem é o produtor. Procure na embalagem, pesquise na internet e entre em contato para se informar melhor. Faça perguntas, e se julgar necessário, visite o produtor.

Sabendo a origem e a lista de ingredientes do leite, outras informações também são primordiais:

 

Tipos de leite

Leite Cru: É o que foi recentemente ordenhado, não passou por nenhum processo térmico e não deve ser consumido.

Leite Pasteurizado: Aquecido de 72° a 75° C por volta de 15 a 20 segundos e resfriado rapidamente em seguida. Esse procedimento permite a eliminação de microrganismos nocivos ao nosso organismo. Por não ser acrescido de aditivos ou qualquer ingrediente, é considerado um leite fresco, tem validade menor e deve ser armazenado sob refrigeração. É considerado um alimento probiótico, por preservar os microrganismos benéficos à flora intestinal após o processo de pasteurização. O leite pasteurizado também é classificado em:

  • Leite Tipo A: é feita a ordenha de um único rebanho em sistema fechado, recebe tratamento térmico na propriedade e o transporte só é feito após o envase. O que o difere dos outros tipos, é que possui um número reduzido de bactérias quando em comparação com os demais;
  • Tipo B: A ordenha pode ser feita em mais de um rebanho, sendo por sistema manual ou semi-fechado e aguarda até 48 horas para passar por processo de pasteurização. Possui maior concentração de bactérias em relação ao tipo A;
  • Tipo C: É o mesmo leite do tipo B com a diferença que é transportado diretamente após a ordenha para a pasteurização. Esse leite pode conter uma quantidade bem superior de micro-organismos do que as outras duas opções anteriores;

Leite UHT: É o famoso “leite de caixinha”. Passa pelo processo de ultrapasteurização, ou seja, o leite é aquecido de 130° a 150° C em 3-5 segundos e depois é resfriado. Esse processo permite alta eliminação de bactérias, tanto nocivas quanto benéficas e parte dos nutrientes presentes no leite. Uma vez que o procedimento resulta em um líquido quase inerte, a durabilidade é muito superior. No entanto, ainda é adicionado aditivos químicos que melhoram a aparência e/ou a qualidade nutricional e prolongam a vida de prateleira, permitindo o armazenamento em temperatura ambiente.

Leite Esterilizado: O leite é aquecido em 120° C por 20 minutos, com intuito de eliminar todos os micro-organismos vivos, resultando em um líquido inerte.

Leite sem lactose: A técnica mais utilizada para a “extração” da lactose, é adicionar a enzima lactase ao leite, favorecendo a mesma reação química que acontece durante o processo de digestão, dando origem ao leite sem a lactose. Esse leite é destinado às pessoas que possuem intolerância à lactose.

Leite orgânico e biodinâmico: É o leite pasteurizado, UHT ou esterilizado, ordenhado de uma vaca criada em sistema orgânico, ou seja, os animais são criados no pasto que não recebe agrotóxico e o rebanho não recebe tratamento com medicamentos ou produtos químicos. É o sistema mais parecido com as antigas fazendas. Ambos os métodos são favoráveis ao meio ambiente. A diferença entre os dois tipos é que o sistema biodinâmico segue os princípios de exclusão de qualquer composto sintético, de modo que, o rebanho não é alimentado com ração(orgânica), como é feito no sistema orgânico, mas com pasto, por ser algo natural ao rebanho. Não é encontrado com frequência em mercados, mas é possível encontrar diretamente com o produtor, diversas lojas online ou pequenos comércios.

Leite acrescido de vitaminas e minerais: Encontrado em duas versões: a primeira e mais conhecida, destinado para crianças, indivíduos em estado de desnutrição ou carências nutricionais. A segunda é na versão UHT ou esterilizado, normalmente, o leite é de baixa qualidade sendo ser melhorado para atrair o consumidor.

Leite em pó: Passa pelo procedimento de retirada da parte líquida, resultando em um pó que pode ser reconstituído na junção de água. Durante o processo, é normal que se perca alguns nutrientes. A informação da lista de ingredientes é de extrema importância e assim como as outras opções, deve contar somente um ingrediente: leite.

Copo jarra de leite sobre a tabua
 Leite é saúde!

Teor de gordura

Integral: É o leite que após receber tratamento térmico, se mantém de forma integral em relação aos nutrientes e gorduras. Nutricionalmente falando, é a opção mais completa, não há perda de nutrientes e possui no mínimo 3% de gordura. O leite é fonte de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) que são solúveis em meio gorduroso. Isso significa que quanto maior for a concentração de gordura no leite, maior será a quantidade de vitaminas lipossolúveis.

Semi-Desnatado: Após o tratamento necessário, passa pelo processo de extração parcial da parte gordurosa, convertendo-se em um leite de 0,6 a 2,9% de gordura.

Desnatado: É quando o leite passa pelo procedimento de extração (quase) total da gordura, resultando em um leite com no máximo 0,5% de gordura, e por consequência, quantidade reduzida de vitaminas lipossolúveis. É por esse motivo que os pediatras não aconselham as crianças tomarem leite desnatado.

Leite Padronizado: É aquele que possui uma quantidade exata de gordura, nem mais, nem menos.

Leite Homogeneizado: É um método físico de alta pressão que modifica os glóbulos de gordura, permitindo que ela se misture ao meio, desfavorecendo a formação de nata.

 

Composição nutricional e benefícios ao organismo

O leite de vaca é considerado um “alimento completo” por ser um composto bioativo, rico em água, sais minerais, vitaminas hidro e lipossolúveis, lactobacilos, carboidratos, proteínas e gorduras boas.

 

De acordo com sua composição nutricional, o consumo adequado de leite auxilia no funcionamento de processos metabólicos, colonização saudável da flora intestinal, contração muscular, transmissão de impulsos nervosos, melhora a constipação intestinal, favorece a hidratação, fornecimento de energia, produção de proteínas corporais, manutenção de tecido muscular, redução de deficiências e carências nutricionais. E o mais conhecido cálcio, favorece a formação e manutenção dos ossos e dentes.

 

Diferente do que muitas pessoas acreditam, o leite não está associado com alergias, asma, problema facial, formação de muco ou com puberdade precoce. E a intolerância a lactose é uma doença séria e não acomete toda a população. Indivíduos que seguem dietas destinadas ao intolerante a lactose sem real necessidade e sem consultar um profissional apto para dar esse tipo de diagnóstico, pode se comprometer.

 

Atualmente no Brasil, o tipo de leite mais consumido é o integral ultra-processado (UHT), por ter melhor custo benefício e maior prazo de validade. Infelizmente, isso aconteceu após um grande apelo da indústria alimentícia através do marketing/mídia, e fez a população julgar que o leite inerte que dura mais tempo na despensa é a melhor opção, somente por uma questão de praticidade. Mas isso pode mudar, pois, a demanda do leite é criada por consumidores! Se houver informação adequada e maior interesse da população pelo saudável, com toda a certeza, a indústria leiteira fará o que for necessário para dispor esse tipo de alimento.

 

Respondendo à pergunta feita no início do texto: Sim, o leite é um bom alimento, faz bem à saúde e pode estar presente na alimentação diária daquele que não possui alguma restrição dietética. Se você souber escolher uma opção melhor, ter equilíbrio alimentar e senso crítico, vai perceber que o problema não está no leite.

Se informe, seja crítico e consulte um nutricionista!

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